Com o reconhecimento, Aranha é o 42º brasileiro a ter essa honraria, ao lado de figuras como Tiradentes, Santos Dumont, Machado de Assis, Zumbi dos Palmares, Anita Garibaldi e Zuzu Angel.

A lei que inclui o diplomata e político Oswaldo Aranha no Livro dos Heróis da Pátria (Lei 13.991, de 2020) criada por iniciativa do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) e sancionada pelo presidente Jair Bolsonado na última sexta-feira (17/04), foi aprovada pelo Senado em fevereiro. Na ocasião, o relator, senador Lasier Martins (Podemos-RS), chamou atenção em Plenário para uma das passagens mais marcantes da vida de Aranha.

— Em 1947, ele chefiou a delegação brasileira na recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). Foi quem inaugurou a tradição, mantida até hoje, de ser um brasileiro o primeiro orador da reunião anual da ONU. E foi o presidente da Segunda Assembleia Geral, que votou o plano de partilha da Palestina, que resultou na criação futura do Estado de Israel. É muito reconhecido até hoje por judeus e sionistas em todo o mundo devido a essa atuação — relatou Lasier.

O senador também citou a proximidade que o diplomata tinha com o ex-presidente Getúlio Vargas. Ministro das Relações Exteriores entre 1938 e 1944, exerceu um papel fundamental para que o Brasil rompesse naquela ocasião com a Alemanha nazista e se juntasse às Forças Aliadas, que combatiam o projeto de hegemonia mundial capitaneado por Adolf Hitler à frente do Estado alemão. Durante os diferentes períodos em que Vargas exerceu a presidência da República, Aranha ocupou também outros cargos, como os de ministro da Justiça e da Fazenda.

Amigo dos EUA

Outro posto ocupado por Oswaldo Aranha foi o de chefe da embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos, entre 1933 e 1937. Acabou se aproximando do então presidente americano, Franklin Roosevelt, e realizando palestras por todo o país. A partir dessa experiência, como citou Lasier, passou a defender que o Brasil se aproximasse mais dos Estados Unidos em suas relações geopolíticas. Considerava possível conciliar essa posição com a defesa dos interesses e da soberania nacional.

— Tanto foi assim, que ele participou ativamente de negociações nos Estados Unidos que estimularam a industrialização brasileira naquele período, em setores como a siderurgia — acrescentou o senador.

Devido a essa proximidade, Aranha chegou a ser vice-presidente, no Brasil, da Sociedade dos Amigos da América.

Oswaldo Aranha era gaúcho de Alegrete, nascido em 1894, e faleceu no Rio de Janeiro em 1960.

Fonte: Agência Senado.