I
A notícia corre solta
E todo mundo tá sabendo
Tem muita gente morrendo
Por conta do tal corona
Até a bailanta da “Siá Dona”
Já se foi pro beleléu
Tem gente dançando no céu
Foram pro mundo do além
Quem tem medo de ir também
Tapa as fuças com o chapéu

II
Diz que o vírus vem de longe
Lá das banda do oriente
Tá assustando tanta gente
Que no bolicho do “Candinho”
Só tá ele, bem sozinho
Se sumiu a freguesia
Falam até que é bruxaria
Que é praga da concorrência
Não tem remédio nem ciência
Pra acabar com a reviria

III
Lá no galpão, a peonada
Já tá proseando a distância
E até o patrão da estância
Usa nas venta um tampão
E o velho aperto de mão
Se trocou por um aceno
Tudo parece veneno
Mataram até o chimarrão
Só restou água e sabão
E o gaitaço do “Tio Neno”

IV
A filha moça do patrão
Que a pouco arrumou namoro
Aos prantos, caiu no choro
Por causa do isolamento
Pra não perder o casamento
Namora só pelo espelho
O medo do vírus e do relho
Não inibe seus desejos
Só passa jogando beijos
De nada adianta conselhos

V
Diz que o remédio pra doença
É todo mundo “ficá” em casa
Vivendo embaixo da asa
E dos cuidados da “muié”
Não pode arredar o pé
E tem que cumprir c’o dever
E se quiser mais prazer
Pela desgraça do mal
E do isolamento social
Nem pagando tu vai ter

VI
A doença virou castigo
E acabou com a liberdade
Lá no campo e na cidade
Os homens tão bem perdido
Mulher briga c’o marido
Mandando que vá se embora
E a polícia já mete a espora
Corre com eles da rua
E é melhor ficar na tua
Que isso é pior que catapora

VII
E dizem que o bixo pega
Que todo mundo tá com medo
Mas te conto, não é segredo
Que isso já me aconteceu
E  te garanto que eu
To livre desse caroço
Ato um lenço no pescoço
Em qualquer lugar alço a perna
Pois essas coisas modernas
Não entram em coro de grosso

Autor: Pompeo de Mattos
Deputado Federal